A busca por um modo de capturar imagens do mundo acompanha o homem a milênios, ainda na Grécia Aristóteles (384 - 322 A.C.)
já fazia menção a um dispositivo chamado "câmara obscura", onde através de um pequeno orifício a luz se projetava produzindo
imagens. Este mesmo recurso também foi utilizado pelo sábio árabe Ibn al Haitam para observação de um eclipse em Constantinopla
no ano de 1038.
O napolitano Porta e o veneziano Barbaro difundiram esse dispositivo pela Europa na primeira metade do século XVI até que 1665
um jogo de lentes seria acrescentado pelo alemão Johannes Zahn ao dispositivo, que também tornou o aparelho portátil o que acabou
por permitir que fosse utilizado por Antonio Canaletto como recurso auxiliar no desenho de vistas panorâmicas, transformando a
"câmara obscura" numa coqueluche nos círculos mais abastados da Europa.
A descoberta da fotografia propriamente dita se inicia em 1727 com o professor alemão Johann Heinrich Schulze que buscava uma
fórmula capaz, segundo ele, de produzir pedras luminosas de fósforo, no entanto em suas experiências acabou por manipular o nitrato
de prata e de suas atividades resultaram uma publicação na academia de Nürenberg intitulada "De como descobri o portador da
Escuridão ao tentar descobrir o portador da Luz", consagrando-se assim como o pai da fotoquímica.
Durante os 70 anos seguintes à descoberta de Schulze vários pesquisadores, entre eles os ingleses Thomas Wegdwood e Humphry Davy,
conseguiram realizar avanços no sentido de tirar "cópias por contato" de objetos transparentes como folhas ou asas de insetos.
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Niépce
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Daguerre
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Talbot
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Florence
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Finalmente no século XIX a humanidade presenciaria uma das mais fantásticas e marcantes invenções, a fotografia, que viria ao
mundo com o nome de Daguerreotipia graças a seu inventor francês Louis Jacques Mandé Daguerre, que vencera, pelo menos no aspecto
legal, a corrida para "captar as imagens desenhadas pelo sol".
Daguerre desenvolveu um método baseado em imagens capturadas sobre chapas prateadas e iodadas, reveladas em vapores de mercúrio
reduzindo em muito o tempo de exposição para obtenção das imagens em relação aos métodos já tentados até então. A invenção teve
sua importância reconhecida desde seu princípio a ponto de ter sido comprada pelo governo francês, em troca de uma renda a Daguere,
e doada a humanidade pela França.
Muitos outros pesquisadores estiveram simultaneamente envolvidos no mesmo caminho que Daguerre e também a eles se pode creditar
parte da invenção da fotografia, nessa linha se destacam o também francês Joseph Nicéphore Niépce autor da primeira foto do mundo
em 1826, realizada com um tempo de exposição de 8 horas, tendo o processo sido denominado por Niépce de Heliografia, pois atribuía
ao sol parte da responsabilidade por seu invento, no entanto este celebrou com Daguerre um contrato de sociedade o que acabou
por alijá-lo da possibilidade de reivindicar a paternidade da fotografia.
Outro pesquisador importante foi o inglês William Henry Fox Talbot inventor da fotografia sobre papel e do processo negativo /
positivo, tendo patenteado seu processo como Calotipia, que mais tarde ficou conhecido como Talbotipia, que permitia criar imagens
em tamanhos 20 x 16,5 cm em apenas dois minutos. Embora a Europa fosse a época o centro das pesquisas ao redor da descoberta
da fotografia, o Brasil tem nesse episódio uma importante participação.
Nascido em Nice na França em 1804 o desenhista Antoine Hercules Romuald Florence veio ao Brasil em 1825 e até 1829 atuou como
membro da expedição do Barão Langsdorff, cônsul geral da Rússia no Brasil. Ao fim da expedição em 1830 acabou por casar-se com
Maria Angélica Alvares Machado e Vasconcelos na Vila de São Carlos, hoje Campinas, onde se estabeleceu.
Como colaborador do jornal O Pharol Paulistano Florence se interessou por métodos de reprodução de imagens para uso gráfico, e
em 1830 criaria a Poligraphie que passaria a desenvolver, e em 1833 realizava experimentos com uma "câmara obscura" e nitrato de
prata utilizando o papel para suas cópias, no entanto foi com o cloreto de ouro fixado com urina que Florence obteve os melhores
resultados para suas matrizes em vidro, por ele chamado de negativos.
Florence foi também o primeiro a empregar o termo Photographie para sua invenção, em 1833/34, ou seja pelo menos 5 anos antes do
inglês John Herschel a quem comumente se atribui a invenção do termo.
Todos esses processos estão fartamente documentados graças ao zelo dos herdeiros de Hercules Florence que preservam ainda hoje as
imagens e manuscritos de seu ilustre antepassado.
Após esse período inicial a difusão da fotografia pelo mundo se deu de modo acelerado, atraindo primeiramente os pintores,
desenhistas e gravadores, posteriormente os estúdios fotográficos e fotógrafos itinerantes se espalharam ao redor do mundo, fazendo
das imagens coletadas nas viagens, suas paisagens e povos motivo de grande curiosidade quando expostas na Europa.
Difundiram-se os negativos de vidro e posteriormente a chapa seca, já no fim do século XIX surgiriam as primeiras câmeras para
amadores, o que permitiu criar no século XX uma multidão de milhões de aficcionados pela fotografia em todo o mundo.
Durante a II Guerra Mundial surgem os primeiros processos de fotografias coloridas desenvolvidas primeiramente pela Agfa (Agfacolor)
em 1936 e posteriormente pela Kodak (Kodacolor) em 1942.
Todos esses processos só fizeram aumentar o interesse e a importância da fotografia, que se estabeleceu como um dos mais importantes
elementos iconográficos e estéticos na comunicação humana e na ciência, presente desde a memória de uma família, passando pelo
jornalismo de todos os dias ou acompanhando a ida do homem a lua.
Atualmente com a escalada da era digital, onde a indústria japonesa já produz mais câmeras digitais que convencionais, a fotografia
ingressa em um novo patamar onde os equipamentos e recursos colocados a serviço da criatividade humana podem levar a fotografia a
imagens ainda mais fantásticas e comoventes que as produzidas nos últimos 170 anos.